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Métodos de Navegação Aérea Convencional e o Conceito de Navegação PBN

Atualizado: 5 de out.

A navegação aérea evoluiu significativamente desde os primórdios da aviação, quando os pilotos dependiam de referências visuais no solo, até os modernos sistemas de navegação por satélite que permitem operações precisas em qualquer parte do planeta. Essa evolução reflete não apenas avanços tecnológicos, mas também a necessidade de maior segurança, eficiência e capacidade do espaço aéreo.

Para o piloto em formação, compreender os métodos convencionais de navegação e os novos métodos baseados em performance (PBN) é essencial para entender como a aviação mundial opera hoje.


1. Métodos de Navegação Aérea Convencionais

Antes do advento do GPS e do conceito PBN, a navegação era baseada em auxílios terrestres e métodos tradicionais:

a) Navegação Visual (VFR)

  • Baseada em pontos de referência no solo (rios, rodovias, cidades, montanhas).

  • Utilizada em condições meteorológicas de voo visual (VMC).

  • Simples, mas limitada pela visibilidade e meteorologia.


b) Navegação Estimada (Dead Reckoning)

  • Calcula posição com base em rumo, velocidade, tempo e vento.

  • Método fundamental em treinamentos iniciais, mas sujeito a erros acumulados.


c) Navegação Radioeletrônica (Navaids Convencionais)

A evolução trouxe o uso de auxílios em solo, que continuam a ser estudados e aplicados:

  • NDB (Non-Directional Beacon): rádio farol que fornece direção em relação à estação.

  • ADF (Automatic Direction Finder): receptor a bordo que indica a direção do NDB.

  • VOR (VHF Omnidirectional Range): fornece radial magnética em relação à estação, permitindo navegação precisa em rota.

  • DME (Distance Measuring Equipment): associado ao VOR ou ILS, indica distância em milhas náuticas até a estação.

  • ILS (Instrument Landing System): sistema de precisão para aproximação e pouso, baseado em localizador (azimute) e glide slope (rampa de descida).


👉 Esses métodos convencionais, conhecidos como Navegação Baseada em Auxílios Terrestres, possuem limitações de cobertura, custo de manutenção e interferência de relevo.


2. Transição para os Novos Métodos

Com o crescimento da aviação mundial, os sistemas convencionais mostraram-se restritivos em termos de:

  • Capacidade do espaço aéreo.

  • Cobertura em áreas remotas ou oceânicas.

  • Flexibilidade de rotas.


Foi nesse contexto que surgiram os sistemas baseados em satélites, culminando no conceito PBN (Performance Based Navigation).


3. Navegação PBN – Performance Based Navigation

O conceito PBN foi desenvolvido pela ICAO para padronizar e modernizar a navegação aérea mundial. Em vez de se basear na posição das estações terrestres, a PBN define requisitos de performance que a aeronave e seus sistemas devem cumprir.


a) Estrutura da PBN

A PBN se divide em dois grandes grupos:

  1. RNAV (Area Navigation):

    • Permite voar em qualquer trajetória dentro da cobertura de auxílios ou sinais de satélite, não estando restrita a sobrevoar as estações.

    • Exemplos: RNAV 1, RNAV 2, RNAV 5 (onde o número representa a precisão lateral em milhas náuticas).


  2. RNP (Required Navigation Performance):

    • Similar ao RNAV, mas exige monitoramento e alerta de integridade.

    • Maior confiabilidade, usada em fases críticas do voo (aproximações).

    • Exemplos: RNP APCH, RNP AR APCH.


b) Auxílios utilizados na PBN

  • GNSS (Global Navigation Satellite Systems): inclui GPS (EUA), GLONASS (Rússia), Galileo (UE), BeiDou (China).

  • ABAS (Aircraft Based Augmentation System): como o RAIM, que monitora a integridade do sinal GNSS.

  • SBAS (Satellite Based Augmentation System): ex.: WAAS (EUA), EGNOS (Europa), GAGAN (Índia), SDCM (Rússia).

  • GBAS (Ground Based Augmentation System): aumenta a precisão do GNSS em áreas aeroportuárias.


4. Benefícios da PBN

  • Aumento da capacidade do espaço aéreo: mais aeronaves podem voar em rotas otimizadas.

  • Redução de consumo e emissões: rotas mais curtas e eficientes.

  • Operações em aeroportos remotos: aproximações por GNSS dispensam ILS em muitos locais.

  • Segurança operacional: monitoramento constante da integridade dos sistemas.

  • Flexibilidade: criação de rotas diretas, evitando a dependência de auxílios terrestres.


5. Situação no Brasil e no Mundo

  • O DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) vem implementando procedimentos RNAV e RNP em diversos aeroportos, em especial o RNP AR APCH, que permite aproximações com segurança em aeroportos com relevo acidentado.

  • No mundo, a ICAO e IATA incentivam a transição global para PBN até substituir progressivamente a navegação baseada apenas em auxílios convencionais.


6. Comparação entre Métodos Convencionais e PBN

Aspecto

Navegação Convencional

Navegação PBN

Base

Auxílios terrestres (VOR, NDB, ILS)

Requisitos de performance e GNSS

Precisão

Limitada à posição da estação

Alta (até metros em aproximações)

Cobertura

Limitada ao alcance do rádio

Global, inclusive oceânica/remota

Flexibilidade

Rotas fixas sobre estações

Rotas diretas, trajetórias otimizadas

Custo

Alto para manter estações

Investimento em bordo/satélite

Segurança

Restrita a áreas cobertas

Monitoramento de integridade contínuo


7. Conclusão

A evolução da navegação aérea representa um dos maiores avanços da aviação moderna. Enquanto os métodos convencionais ainda são fundamentais para a formação do piloto e permanecem como sistemas redundantes, a transição para a Navegação Baseada em Performance (PBN) oferece ganhos em eficiência, segurança e capacidade.


O piloto em formação deve dominar ambos os conceitos:

  • Convencionais, para entender a base histórica e estar apto em qualquer cenário.

  • PBN, para se adequar à realidade operacional atual e futura da aviação mundial.


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1 comentário

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Marco rezek
03 de jan. de 2024

Parabens pela explicação, muito bem entendido.

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