História do Sistema de Coordenadas Geográficas e sua Aplicação na Navegação Aérea
- jcarlosperuca

- 5 de jan. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 5 de out.
1. As origens do sistema de coordenadas geográficas
A necessidade de localizar pontos na superfície terrestre é tão antiga quanto a própria navegação. Desde os povos antigos, houve tentativas de organizar a Terra em um sistema de linhas imaginárias.
Civilizações antigas: os babilônios já utilizavam divisões baseadas em 360°, herança que permanece até hoje em ângulos e na circunferência da Terra.
Eratóstenes (séc. III a.C.): primeiro a calcular o diâmetro da Terra com grande precisão, usando ângulos e sombras.
Hiparco de Nicéia (séc. II a.C.): considerado o “pai da trigonometria”, foi o primeiro a propor uma rede de linhas paralelas e meridianos para localizar pontos na Terra, lançando as bases do sistema de coordenadas.
Ptolomeu (séc. II d.C.): em sua obra Geographia, compilou mapas com um sistema rudimentar de latitude e longitude, baseado em graus.
2. Consolidação na Idade Moderna
Durante as Grandes Navegações (séculos XV e XVI), a necessidade de precisão cresceu enormemente:
A latitude já era relativamente simples de determinar pela altura do Sol ao meio-dia ou da Estrela Polar no hemisfério norte.
A longitude foi o maior desafio: sua determinação confiável só veio no século XVIII, com a invenção do cronômetro marítimo de John Harrison, que permitia calcular a diferença horária em relação a um meridiano de referência.
Em 1884, na Conferência Internacional do Meridiano, realizada em Washington, foi definido o Meridiano de Greenwich como referência mundial de longitude zero, oficializando o sistema global de coordenadas.

3. Estrutura do sistema de coordenadas geográficas
O sistema baseia-se em duas grandezas:
Latitude (φ): distância angular em relação ao Equador, variando de 0° a 90° Norte ou Sul.
Longitude (λ): distância angular em relação ao Meridiano de Greenwich, variando de 0° a 180° Leste ou Oeste.
Essa rede de linhas imaginárias forma a chamada grade geográfica, permitindo identificar qualquer ponto na Terra com precisão.
4. Evolução para sistemas de referência geodésicos
Com os avanços da ciência geodésica e da tecnologia espacial, o sistema de coordenadas foi refinado:
Elipsoides de referência: a Terra não é uma esfera perfeita, mas um geoide irregular. Diversos modelos matemáticos foram criados para aproximar sua forma.
Datum geodésico: referência matemática que relaciona a grade de coordenadas à superfície real da Terra. Exemplo: o WGS84 (World Geodetic System 1984), adotado pela aviação e pela navegação por satélite.
GPS e GNSS: os sistemas globais de navegação por satélite (GPS, GLONASS, Galileo, BeiDou) utilizam o WGS84 para fornecer coordenadas precisas em tempo real.
5. Aplicações na navegação aérea
O sistema de coordenadas geográficas é a base de toda a navegação aérea:
Cartas aeronáuticas: todos os pontos de navegação (fixos, auxílios, aeródromos) são identificados por coordenadas.
Navegação convencional: posicionamento via NDB, VOR e interseções de radiais depende da referência geográfica.
Navegação baseada em performance (PBN): depende integralmente de coordenadas geográficas precisas fornecidas pelos GNSS.
Planos de voo: utilizam coordenadas para definir rotas, aerovias e pontos de entrada/saída em espaços aéreos.
Sistemas modernos: FMS (Flight Management System) e INS (Inertial Navigation System) integram coordenadas geográficas para cálculos de trajetória, performance e combustível.
6. A importância para os pilotos
Para alunos em formação, compreender o sistema de coordenadas não é apenas um requisito teórico, mas uma ferramenta prática de segurança de voo. Desde a leitura de uma carta aeronáutica até o uso de GPS de bordo, a habilidade de interpretar e trabalhar com latitude e longitude é fundamental para a navegação precisa e eficiente.
✅ Resumo para fixação:
Criado na Antiguidade e consolidado no século XIX com Greenwich.
Baseado em latitude e longitude.
Evoluiu para modelos matemáticos refinados (WGS84).
É o fundamento da navegação aérea moderna, desde cartas até sistemas avançados de PBN.
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