A Categoria LSA e o Papel dos Motores Rotax na Aviação Leve
- jcarlosperuca

- 13 de set.
- 3 min de leitura
Atualizado: 5 de out.
A aviação desportiva e recreativa ganhou grande impulso nas últimas décadas com a criação da categoria LSA (Light-Sport Aircraft), regulamentada inicialmente nos Estados Unidos pela FAA em 2004 e posteriormente adotada por diversas autoridades aeronáuticas, incluindo a ANAC no Brasil. O objetivo dessa categoria é simplificar o acesso à aviação, oferecendo aeronaves leves, seguras e de baixo custo operacional, voltadas tanto para formação básica quanto para o lazer.
O que é a Categoria LSA?
As aeronaves LSA são definidas por critérios técnicos e operacionais, como:
Peso máximo de decolagem (MTOW): até 600 kg (650 kg para anfíbios).
Velocidade de estol (VS1): máxima de 45 nós.
Velocidade máxima em voo nivelado (Vh): até 120 nós (aprox. 222 km/h).
Capacidade: até 2 ocupantes (piloto + passageiro/instrutor).
Trem de pouso: fixo (exceto em anfíbios, que podem ter retrátil).
Hélice: passo fixo ou ajustável em solo.
Essas características tornam a categoria uma porta de entrada para pilotos iniciantes, além de ser uma opção acessível para aeroclubes e escolas de aviação, graças à simplicidade de operação e à eficiência de combustível.
O Papel dos Motores Rotax na Aviação LSA
A BRP-Rotax GmbH & Co. KG, empresa austríaca fundada em 1920, tornou-se referência mundial na produção de motores para aeronaves leves. Atualmente, estima-se que mais de 70% dos LSA e ultraleves no mundo utilizem motores Rotax.
O sucesso dos motores Rotax nessa categoria se deve a fatores como:
Baixo peso: ideal para aeronaves leves.
Alta eficiência energética: consumo reduzido de combustível (inclusive automotivo/mogas, além de AVGAS).
Confiabilidade e durabilidade: projetados para operar com manutenção simplificada.
Tecnologia moderna: uso de refrigeração líquida, injeção eletrônica e turbocompressores em alguns modelos.
Evolução dos Motores Rotax
Rotax Série 500 e 600 (década de 1980)
Primeiros modelos voltados à aviação leve, adaptados de motores recreativos (snowmobiles).
Refrigeração líquida, 2 tempos.
Potências entre 50 e 65 hp.
Muito usados nos ultraleves pioneiros, mas com limitações em durabilidade e consumo.
Rotax 912 (1990 – presente)
Um marco na aviação leve.
Motor 4 tempos, 4 cilindros opostos, 80 a 100 hp.
Refrigeração líquida + ar, sistema híbrido eficiente.
Consumo médio: 15 a 20 L/h com mogas ou AVGAS.
TBO (Time Between Overhaul): até 2.000 horas.
Tornou-se o motor padrão para a maioria dos LSA e ultraleves avançados.
Rotax 914 (1996 – presente)
Evolução do 912, com turboalimentação.
Potência de 115 hp, mantendo peso reduzido.
Excelente desempenho em altitudes elevadas (até 16.000 pés).
Muito utilizado em aeronaves LSA e experimentais voltadas para regiões montanhosas.
Rotax 912 iS (2012 – presente)
Versão modernizada do clássico 912.
Injeção eletrônica multiponto substitui carburadores.
Potência de 100 hp.
Melhor controle de mistura ar-combustível, resultando em até 20% menos consumo.
Integração digital com o painel da aeronave via ECU (Engine Control Unit).
Rotax 915 iS (2017 – presente)
Motor de última geração da família.
135 hp com turboalimentação e injeção eletrônica.
Projetado para aeronaves LSA e experimentais de alto desempenho.
Potência mantida até 15.000 pés, com teto operacional acima de 23.000 pés.
Ampla integração digital e monitoramento em tempo real.
Rotax 916 iS (2023 – presente)
Mais recente evolução da linha.
160 hp com turbocompressor.
Tecnologia de gerenciamento eletrônico aprimorado.
Atende à crescente demanda de LSA mais rápidos, seguros e com maior capacidade de carga.
Preparado para operação com combustíveis alternativos e futuras normas ambientais.

Considerações Finais
A sinergia entre a categoria LSA e os motores Rotax é evidente: aeronaves leves exigem propulsores eficientes, leves e confiáveis — exatamente o nicho em que a Rotax se consolidou. Com cada nova geração, os motores tornam-se mais econômicos, digitais e sustentáveis, refletindo a tendência global de modernização da aviação leve.
Graças a essa evolução, a aviação LSA segue se expandindo, atraindo novos pilotos e reforçando seu papel como porta de entrada para a formação aeronáutica e laboratório de inovação tecnológica.
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